São
Paulo – Ao recordar episódios de maio de 2006 em São Paulo, com centenas de
mortes após os ataques do Primeiro Comando da Capital (PCC), Débora Maria da Silva, uma das líderes do Grupo
das Mães de Maio, voltou a cobrar investigações. “O autoritarismo do estado de
São Pauo invadiu as nossas periferias, destruindo as vidas dos nossos filhos,
trabalhadores, pobres”, afirmou, durante a 55ª Caravana da Anistia, encerrada
na noite de sexta-feira (9), em São Paulo. “Mais de 600 pessoas tombaram. E vários
continuam desaparecidos. Não é diferente do passado. Queremos que sejam
investigados. Os crimes de maio foram todos arquivados.”
Ela
afirmou estar “chocada com o passado, porque não é diferente do presente”. E
disse que não se pode dizer que a ditadura acabou. “Existem formações de
milicianos, jogando a culpa no crime organizado. Porque o verdadeiro crime
organizado é o Estado, que mata e nada acontece. Não vamos nos cansar, porque a
luta é o que realmente alimenta a nossa alma.” Em maio de 2006, ele perdeu o
filho Edson, “um gari, um miserável de salário mínimo”. “Eu não podia me
curvar, porque o Estado é gigante, mas as Mães de Maio são muito mais.”

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